Tempos verbais não, tempos mentais

Uma reflexão educativa sobre como podemos trazer a nossa atenção para o momento presente, trazendo a atenção para o corpo ao invés de deixá-la nos pensamentos acerca do passado e do futuro.

Na minha meditação de hoje li a seguinte passagem:

“Preso ao passado

Os tempos verbais – passado, presente, futuro – não são o verdadeiro tempo, são apenas um reflexo do tempo da mente. Aquilo que deixa de estar diante da mente torna-se passado. O que está diante da mente é o presente. E o que virá a estar diante da mente é o futuro.

O passado já não está diante de si.

O futuro ainda não está diante de si.

O presente é o que está diante de si e você está a perdê-lo de vista. Em breve será passado…

Isto, claro, se não viver agarrado ao passado – porque viver agarrado ao passado é uma tremenda estupidez. O passado já cá não está, não vale a pena chorar sobre o leite derramado. O que passou, passou! Da mesma forma, não faz sentido viver agarrado ao presente, porque em breve passará e fará parte do passado. E, já agora, também não se agarre ao futuro – planos, esperanças e ambições para um amanhã que há de chegar – porque o amanhã acabará por ser o hoje e mais tarde o ontem. 

Quando é assim, tudo lhe passa por entre os dedos. Agarrar-se ao que quer que seja apenas lhe trará infelicidade.

É preciso deixar ir.”

_Osho

Existe uma razão por detrás dessas palavras do Osho, e também uma complexidade que pode nos deixar um tanto assoberbados. Afinal, no fundo sabemos o quanto estamos presos numa dinâmica temporal que, por incrível que pareça, nunca é o momento presente. Parece que chegamos mesmo a fugir dele para não encarar as coisas como elas realmente são. Evitamos até mesmo a questão “Como me sinto neste momento?” sufocando-a com um “estou bem” encerrando o assunto, porque efetivamente não sabemos como estamos, como podemos dizer ao certo se não paramos para coletar informações sobre essa questão?

A boa notícia, entretanto, é que a realidade sempre se apresenta mais simples do que a realidade contada pela nossa mente. Sempre. 

O segredo para isso é sentir o corpo. 

Quando, como professora/instrutora de mindfulness neurocognitivo digo que meditar pode acontecer através de movimentos e que até o autoconhecimento é potencializado desta forma, e as pessoas ficam céticas só até experimentarem. 

Quando investigamos gentilmente o nosso corpo, tudo o que aprendemos e praticamos transborda em conhecimento para os níveis emocionais e cognitivos. Notamos como o corpo não se engana e aprendemos muito mais facilmente através dele. 

Além disso, o corpo está sempre no momento presente, já parou para pensar nisso?

Então, se você nunca experimentou o treino atencional, vou deixar um dos nossos encontros do Projeto Inteiramente (do qual sou co-criadora) a seguir, e se quiser participar, basta se inscrever AQUI, há práticas online, ao vivo e gratuitas todas as segundas-feiras.

Resumindo, você só tem a se beneficiar ao saber como realmente está a cada momento, muda a sua resposta em relação ao que se passa, você começa cada ação a partir de um lugar consciente sem perder de vista o que quer para o futuro e com a serenidade de quem sabe que o passado faz parte de quem você é.

“Deixar ir” e “não se apegar” tem a ver com o que decidimos fazer a cada momento com o que se passa dentro e fora de nós, qualquer que seja o tempo em que a mente se encontra, nós trazemos a consciência para o agora num ciclo interminável e complexo, mas ao mesmo tempo super interessante e único. 

Mal posso esperar para saber a sua opinião sobre isso, assim como a sua experiência com a prática indicada.

Com amor,

Cíntia

Picture of Cintia

Cintia

Bióloga, Professora de Mindfulness Neurocognitivo, Coach e Terapeuta Holística em formação, dentre outras coisas. A minha intenção ao escrever é sobretudo partilhar a minha humanidade. Por vezes pura e simplesmente, por vezes trazendo informações científicas e mais que relevantes para o nosso desenvolvimento. O meu propósito de vida é cuidar e sei que quando temos informações, temos liberdade de escolha e que quando partilhamos a nossa humanidade, nos sentimos acompanhados. Vamos juntos.

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