É um fato que nos sentimos sobrecarregados. Dia após dia existe a sensação do quão insuficiente são as nossas ações. Ao invés de seres vivos, somos “fazedores”. Mas está tudo bem, cada momento revela em si uma oportunidade de fazer algo diferente.
Respira por um instante, respirações mais profundas.
Note que com todas as dificuldades, os seus pés estão no chão neste momento, sinta os pontos de contato, a temperatura da pele, as texturas que os tocam.
Respira… e volta.
A nossa mente tem a tendência de complicar a mais as coisas, em ressaltar a forma como estamos acostumados a ver o mundo (os nossos hábitos mentais) e de se fixar nos riscos ao nosso redor, algo que a ciência chama de Efeito Velcro-teflon, ou seja, a mente se agarra como velcro as coisas negativas, e deixa passar as coisas positivas como se escorregassem num teflon. E isso serve para assegurar a nossa sobrevivência, para estarmos atentos aos riscos e perigos, nos coloca em alerta.
Vou acrescentar mais uma informação: o nosso cérebro pensa da mesma forma como o coração pulsa. É a sua função. Pensamentos pipocam o tempo inteiro na nossa cabeça, quer queiramos, quer não.
A única coisa que podemos controlar efetivamente é a nossa atenção.
Só que neste estado de alerta, nos tornamos reativos, prontos para fugir ou lutar a qualquer momento, sem pensar demais, sobrevivência em primeiro lugar. A nossa atenção está nos estímulos que apresentam riscos, nas ameaças, e a maior parte delas hoje em dia são “só” pensamentos.
Assim, se fizermos uma pausa para suavizar o nosso estado como um todo, percebendo como estamos e cuidamos do que for necessário (sede, fome, relaxando tensões desnecessárias, etc), vamos assim recuperando o nosso estado consciente, ativando o córtex pré-frontal, permitindo que o fluxo sanguíneo retorne dos braços e das pernas para a região de desenvolvimento e crescimento do corpo. Ativando a nossa capacidade cognitiva.
Experimente por um momento relaxar os ombros, o maxilar, uma perna que balança sem parar, a testa, os músculos das costas, notando como a coluna pode ficar ereta mesmo assim.
Respire mais profundamente abrindo espaço para as percepções deste momento, os cheiros, os sons, vê se é possível relaxar um pouquinho as pálpebras enquanto lê, ou talvez o couro cabeludo.
Respire novamente abrindo espaço no seu próprio corpo para quem você é.
Abra um pouquinho os ombros.
Perceba como você está. Não precisa de um resposta ou de nomes, apenas sentir.
Se sentir que está mais suave do que antes, continue esta leitura como uma prática meditativa, se não, continue a leitura apenas percebendo como as informações chegam até você neste momento, com interesse genuíno, sem qualquer expectativa ou planejamento, a intenção, neste caso, é só coletar informações permitindo que elas possam ser processadas com o tempo.
É importante saber que as práticas de mindfulness podem e devem ser sempre adaptadas à sua realidade a cada momento, só você sabe do que precisa e como pode se cuidar.
Agora, convidamos a nossa atenção a sentir os nossos ombros, a notar o peso que carregamos sobre eles.
Sentimos os ombros e notamos os pensamentos associados à sobrecarga.
Como cada carga se parece?
As minhas são como pedras. Mas há quem note tijolos, troncos, sacos. Como você sente os seus pesos?
Não tem certo nem errado.
Veja se é possível sentir com certo distanciamento, como se você tivesse uma noção clara da sua aparência com tanto peso em cima.
Respira.
Agora vamos um a um tirar os pesos dos ombros e colocá-los cuidadosamente, e até mesmo carinhosamente, no chão. Afinal, fazem parte de nós, faz sentido sermos gentis.
Observe-os à sua volta. Note se têm nomes, pesos, tamanhos e cores diferentes.
Se dê tempo.
Se ofereça calma.
Respira.
Agora, um a um vamos trazer de volta esses pesos bem conhecidos de volta para o nosso corpo, mas como a mente é nossa, vamos suavizar a tarefa. Ao tocarmos cada peso, ele se transforma num balão com gás Hélio. Descobrimos uma forma de amarrar um a um em nós sem que nos incomodem.

Respirando começamos a mover um pouco o nosso corpo e a sentir os ombros, as costas, os pés, toda a nossa estrutura.
Temos clareza e consciência de cada peso que carregamos e agora eles não pesam mais sobre os nossos ombros. Assim, temos espaço para escolher o que fazer com cada um deles, não gastamos energia desnecessária.
Na minha prática, enquanto escrevia, notei que alguns pesos não eram pesos sequer, eram responsabilidades que amo cumprir, como limpar a minha casa, lavar roupa, cuidar e alimentar os meus bichos.
Note como colocamos peso onde não há, note como a realidade é mais simples do que as histórias que a nossa mente conta.
Tudo que envolve amor dá trabalho, e o trabalho deveria envolver amor também. Cada ação feita com amor passa longe de ser um peso, mas precisamos estar presentes para sabermos disso.
Vai voltando a atenção para o seu dia no seu tempo, se cuidando se for possível. Beba um copo d’água.
Essa prática faz sentido pra você?
Me conta como está se sentindo?
Com amor,
Cíntia Thurler